Escola dos Faraós? Veja o que dizia o Papiro de Rhind

O Papiro de Rhind, também conhecido como o Papiro de Ahmes, é um dos mais antigos e importantes registros matemáticos do Antigo Egito. Segundo especialistas, ele foi escrito por volta de 1650 a.C. e é uma valiosa fonte de informações sobre as práticas matemáticas no Antigo Egito.
Antes de mais nada, o nome “Rhind” é uma homenagem a Alexander Henry Rhind, um arqueólogo escocês que descobriu o manuscrito no século XIX. No entanto, a autoria original do texto é do escriba Ahmes. Ele afirmou que copiou o conteúdo de um documento mais antigo, que provavelmente vinha do período do Império Médio do Egito, entre 2000 e 1800 a.C.
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Estrutura e conteúdo do Papiro de Rhind
Este documento é mais do que uma simples coleção de problemas matemáticos. Na verdade, ele se apresenta como um manual de instruções para estudantes, ensinando os princípios básicos da aritmética e da geometria. Os antigos egípcios não utilizavam a notação matemática moderna, e o papiro revela um método prático e didático, em que se resolviam os problemas por meio de exemplos e explicações claras.
Além disso, o papiro inclui uma série de conceitos e técnicas que demonstram o nível de complexidade matemática alcançado pelos egípcios:
1. Fórmulas de áreas
O documento descreve como calcular áreas de diferentes formas geométricas, como quadrados, retângulos e círculos.
2. Métodos de multiplicação e divisão
Em vez de multiplicar e dividir como fazemos hoje, os egípcios utilizavam um sistema de duplicação e adição, semelhante aos sistemas binários. Isso facilitava os cálculos com números inteiros.
3. Frações unitárias
O uso de frações na prática matemática egípcia era restrito às frações unitárias (frações com numerador 1). O papiro apresenta métodos para calcular com essas frações, fornecendo um sistema para decompor frações maiores em somas de frações unitárias.
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Progressos matemáticos e conceitos mais complexos

Além dessas operações básicas, o Papiro de Rhind revela conhecimentos surpreendentes sobre conceitos matemáticos mais avançados:
1. Números compostos e primos
O documento menciona números compostos e primos, mostrando que os egípcios já tinham uma compreensão rudimentar desses conceitos, muito antes de serem sistematizados em outras civilizações.
2. Progressões aritméticas e geométricas
O papiro também contém exemplos de progressões aritméticas e geométricas, evidenciando que os egípcios possuíam conhecimentos básicos sobre como essas sequências funcionavam.
Um aspecto interessante do papiro é sua referência a uma forma simplificada do Crivo de Eratóstenes, um método desenvolvido posteriormente pelos gregos para identificar números primos.
Embora o método egípcio não fosse tão sistemático quanto o grego, sugere que o conceito de números primos já era conhecido de alguma forma.
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3. A ênfase no número 6
Outro exemplo significativo é a referência à teoria dos números perfeitos, com ênfase no número 6. Um número perfeito é aquele cuja soma de seus divisores próprios (excluindo ele mesmo) é igual ao próprio número. No caso do número 6, seus divisores são 1, 2 e 3, e sua soma é 6, tornando-o um dos números perfeitos mais simples e um ponto de interesse para os egípcios.
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Resolução de equações e aplicações práticas
O Papiro de Rhind também inclui problemas que envolvem a resolução de equações lineares de primeira ordem. Isso demonstra que os egípcios compreendiam os princípios básicos da álgebra e eram capazes de resolver problemas práticos que se relacionavam ao comércio, à construção e à irrigação.
Por exemplo, o texto apresenta problemas sobre o cálculo da quantidade de pão ou cerveja que deveriam distribuir entre trabalhadores, ou sobre a medição de áreas agrícolas. Isso ilustra que a matemática no Antigo Egito não era uma ciência abstrata, mas uma ferramenta prática para a organização social e econômica.
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A importância histórica do papiro de Rhind
Por fim, o Papiro Matemático de Rhind é uma prova do nível de conhecimento matemático alcançado pelo Antigo Egito. Ele revela que os egípcios eram capazes de lidar com uma vasta gama de problemas práticos e teóricos. Desde cálculos agrícolas até conceitos matemáticos complexos que, posteriormente, influenciaram outras civilizações.
Além disso, o papiro oferece uma janela para o sistema educacional do Egito, onde treinavam os alunos para realizar cálculos complexos que sustentavam a administração do Estado, a construção de monumentos e a gestão dos recursos naturais.
Em termos de legado, o Papiro de Rhind é um dos primeiros exemplos de como a matemática começou a se desenvolver como uma disciplina formal. Dessa forma, ele antecipa certos conceitos que, mais tarde, matemáticos gregos, como Eratóstenes e Euclides, exploraram e aprimoraram.