Não era o cão: veja quem era o melhor amigo do homem no passado

Todo mundo sabe que os cães são considerados os melhores amigos do homem nos dias de hoje. Eles nos acompanham em momentos felizes e difíceis, são fiéis e companheiros como nenhum outro animal. Mas você já parou para pensar se sempre foi assim? Quem será que ocupava esse papel na antiguidade, antes dos cães entrarem na nossa história? A resposta pode surpreender e você descobrirá logo abaixo.
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Melhor amigo do homem: uma amizade inesperada descoberta na Argentina
Pesquisadores descobriram algo interessante no sítio arqueológico de Cañada Seca, a cerca de 130 km de Mendoza, na Argentina. Nesse local, que remonta a milhares de anos, havia restos mortais de 24 pessoas enterradas com seus pertences. Entre esses achados, um detalhe chamou atenção: os ossos de uma raposa ao lado de um dos corpos.
Essa raposa pertencia à espécie Dusicyon avus, um parente distante da raposa-das-Falklands, extinta no século XIX. Até então, pouco se sabia sobre a relação entre humanos e essa espécie. A descoberta, porém, sugere que ela pode ter desempenhado um papel muito especial na vida dos povos antigos, semelhante ao que os cães têm hoje.
Como era essa convivência?
Análises feitas nos ossos da raposa mostraram algo intrigante: sua dieta era muito parecida com a dos humanos enterrados ali. Em vez de se alimentar exclusivamente de carne, como seria esperado de um animal selvagem, sua dieta incluía uma quantidade significativa de plantas. Isso indica que esses animais estavam adaptados ao estilo de vida dos humanos, com quem provavelmente conviviam de forma muito próxima.
Esse tipo de convivência, tão íntima a ponto de até as dietas se assemelharem, é um forte indício de domesticação. Os povos daquela época não só aceitavam a presença das raposas, mas as alimentavam e cuidavam delas. Em troca, as raposas provavelmente ofereciam companhia e proteção, criando um vínculo único entre homem e animal.
Como surgiu a domesticação?
A domesticação é um processo complexo que envolve tanto a adaptação dos animais aos humanos quanto a aceitação desses animais na vida cotidiana das pessoas. No caso das raposas, os pesquisadores acreditam que esse vínculo começou de forma semelhante ao dos cães. Humanos ofereceriam restos de alimentos, e as raposas, naturalmente curiosas, se aproximavam. Com o tempo, essa relação se aprofundava, até que elas se tornassem parte do grupo.
O estudo também revelou algo interessante: os cães modernos encontrados na América do Sul não têm relação genética com essas raposas. Ou seja, a domesticação das raposas foi um evento único e não deixou heranças genéticas nos cães que chegaram posteriormente à região.
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Os cães chegaram depois
Os cães, como os conhecemos hoje, chegaram ao sul da América do Sul há cerca de 4 mil anos, trazidos por migrantes e colonizadores. Antes disso, as raposas eram os animais nativos que desempenhavam o papel de melhores amigos do homem. Essa interação mostra como os povos indígenas souberam se adaptar ao que a natureza lhes oferecia, criando laços com os animais que estavam disponíveis em seu ambiente.
A importância da descoberta
Essa descoberta em Cañada Seca muda o que sabemos sobre a relação entre humanos e animais na América do Sul. Ela mostra que, mesmo antes da chegada dos cães, os povos antigos já buscavam companheirismo e criavam laços com os animais ao seu redor. Mais do que utilitários, esses vínculos eram emocionais e simbólicos, representando a conexão profunda entre os humanos e o mundo natural.
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Você imaginava esse vínculo?
É curioso pensar que, em um passado distante, as raposas eram as melhores amigas do homem. Hoje, esse papel é dos cães. Porém, a história nos mostra que a busca por companheirismo e por laços com outros seres vivos é algo intrínseco à humanidade. Essa descoberta nos lembra da importância desses laços e do quanto eles moldaram nossas vidas ao longo dos séculos.
Agora que você sabe disso, consegue imaginar como seria ter uma raposa como companheira?