Achado em Jerusalém pode confirmar acontecimento bíblico: veja qual é

Em uma descoberta recente em Jerusalém, arqueólogos israelenses desenterraram evidências materiais que reforçam uma narrativa bíblica detalhada no Segundo Livro dos Reis. O achado, que inclui vestígios de uma invasão assíria ao reino de Judá, lança luz sobre um período marcado pela intensa pressão política e militar entre civilizações antigas. Saiba mais a seguir!
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Achado em Jerusalém que reforça acontecimento da Bíblia
A equipe de arqueólogos, operando no bairro Mordot Arnona, em Jerusalém, identificou duas construções administrativas datadas do século VIII a.C. Nesse período, Judá estava sob constante ameaça de invasão por potências vizinhas, particularmente a Assíria. A primeira construção, que os arqueólogos acreditam ser anterior à campanha assíria, foi destruída e substituída por uma estrutura similar após a invasão. Essa substituição, sustentada por camadas de pedras e sinais de destruição, está sendo interpretada como uma adaptação local à presença assíria e ao controle imposto na região.
Campanha Assíria e o impacto na Terra Santa
A campanha assíria contra Judá, registrada no Segundo Livro dos Reis, descreve a invasão do exército do rei Senaqueribe em 701 a.C., época em que as forças assírias devastaram áreas importantes de Judá, incluindo cidades fortificadas que atuavam como linha de defesa para Jerusalém. As descobertas recentes marcam a primeira vez que uma escavação próxima à capital israelita apresenta provas materiais desta invasão.
Até o momento, vestígios que comprovavam a invasão assíria eram encontrados principalmente na região de Sefelá, no centro-sul de Israel, onde várias cidades destruídas pela campanha militar foram escavadas. Portanto, o novo achado em Jerusalém, expande o entendimento da escala da invasão assíria. Sendo assim, sugere que seu impacto também se estendeu até áreas próximas da capital do reino de Judá.
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A administração judaica e os selos reais
Além das construções destruídas, foram encontrados cerca de 180 selos reais do reino de Judá gravados nas alças de jarros de cerâmica. Esses selos, impressos com a inscrição “pertencentes ao rei” em hebraico, datam do mesmo período e indicam a complexa estrutura administrativa e econômica que existia na região. Alguns dos selos apresentam nomes de figuras específicas, como Menachem Yubna e Tzophen Azaryahu, o que sugere um controle individualizado de recursos ou talvez uma rede de agentes que operavam sob o comando do rei.
Essa prática administrativa, segundo especialistas, refletia a organização de Judá, onde os tributos e a produção agrícola se concentravam de modo a atender às demandas impostas pelo império assírio. A produção local incluía principalmente vinho e azeite, armazenados em grandes jarros de cerâmica. Isso indicava que, mesmo sob a ocupação assíria, o reino de Judá mantinha uma produção significativa de recursos agrícolas. Assim, essa autonomia parcial era estratégica para os assírios. Dessa forma, eles se beneficiavam da produção local e do recolhimento de impostos, mas mantinham uma forte pressão sobre a população judaica.
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Mensagem de poder e submissão
Para a Assíria, a conquista de Judá não foi somente uma vitória militar. Na verdade, ela foi uma maneira de consolidar seu domínio político. Assim, ao permitir que a administração local de Judá continuasse existindo, os assírios garantiam uma forma indireta de controle. Enquanto isso, ao mesmo tempo recolhiam tributos e asseguravam que a produção econômica continuasse a servir seus interesses. Esse tipo de dominação refletia uma política imperial que visava fortalecer o poder central. Além disso, ao mesmo tempo, evitava a revolta de populações conquistadas, oferecendo a elas uma autonomia limitada.
Os arqueólogos que conduziram a pesquisa, Neria Sapir, Natan Ben-Ari e Benyamin Storchan, relataram que a destruição da primeira construção administrativa foi provavelmente uma demonstração de força, destinada a intimidar e subjugar a população de Judá. A reconstrução posterior da estrutura, embora em uma escala menor, seria uma resposta a essa imposição. Dessa forma, sinalizava o início de uma nova fase de controle assírio sobre o território.
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Importância histórica e religiosa do achado em Jerusalém
As descobertas em Mordot Arnona são interessantes tanto para arqueólogos, quanto para estudiosos da Bíblia e da história do Oriente Médio antigo. A Bíblia hebraica e cristã é uma fonte fundamental para entender as culturas da região. Porém, a arqueologia tem desempenhado um papel essencial ao oferecer evidências materiais que sustentam ou esclarecem essas narrativas.
Ao longo das últimas décadas, a arqueologia bíblica tem revelado fragmentos do passado que ajudam a compor um quadro mais detalhado da vida nos antigos reinos de Israel e Judá. Achados como os selos e construções administrativas em Jerusalém fornecem uma visão sobre como a administração política e a economia de Judá se organizavam em tempos de crise. A confirmação material de eventos descritos em textos bíblicos serve para contextualizar e enriquecer a compreensão de passagens muitas vezes tratadas apenas como narrativas literárias.
Exposição ao público
Ah, e para quem deseja ver de perto tudo isso, é importante saber que os selos encontrados em Jerusalém serão expostos no Campus Nacional para Arqueologia de Israel, no Jay e Jeanie Schottenstein. Dessa forma, o público poderá ter acesso a esses fragmentos do passado. Esta exposição pretende compartilhar os achados e também promover a compreensão sobre como o reino de Judá e outros reinos antigos da região se estruturavam social e economicamente em tempos de conflito.
Incrível, certo? E aí, você já sabia desse achado em Jerusalém que reforçava o famoso acontecimento da Bíblia?